Estive nesse lugar algumas vezes antes. Nesta mesma aresta não aparada por quem quer que se veja envolvido em um momento de hesitação. A morte incumbe medo em cada pedaço da semiótica a esse tanto de letras atrelada. De certa forma, morremos sem perceber por sete ou oito vezes ao dia. Pois, se damo-nos conta disso, tememos invariavelmente.
Não sabemos o que significa acabar, apesar do fato de que acabamos de forma indubitável. Quando me dou conta disso, sofro como quem sequer conseguiria, em um momento hipotético, deixar quem quer que seja para trás.
Sou isso, assim. Encontro um grande número de definições acerca de como agem ou são as pessoas. Invejo-as pelo simples fato de serem como são, enquanto me esqueço de que, analogamente, sinto necessidade de trabalhar por horas e horas a fim de conseguir algumas moedas com gravuras desconhecidas nelas rabiscadas.
Sinto indigência de dormir por quatro horas à noite, uma vez que há coisas de fato importantes para serem resolvidas em um cubo de dois metros de largura por dois de comprimento, com uma tela de computador ligada, mostrando os rumos que tomo ao gastar metade da minha vida sofrendo por causas outras que não as minhas, enquanto ser que respira e possui aspirações grandiosas como qualquer folha caída no chão.
Conheço dor. Sinto ausência, ao passo que me chutam a fim de buscarem felicidade ou algo que valha isso. Justamente humano. Temos desejos. Temos direitos, de fato, não reconhecidos por documento algum. Somos compassivos. Agimos incontestavelmente como tal.
Liberto-me - ou intento isso - de todos os disparates inerentes à forma que tomamos para viver.

Arthur Meibak

Delfim Netto é professor emérito da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), onde seguiu, além disso, carreira acadêmica. Ocupou diversos ministérios durante os governos militares. Ficou, assim, conhecido por ser um dos principais idealizadores do chamado “milagre brasileiro”, exercitado entre 1969 e 1973. Nesse período, o Produto Nacional Bruto crescia cerca de 10% ao ano. Em adição, foi, após o período de redemocratização do Brasil, eleito deputado federal por cinco vezes consecutivas. Escreve atualmente artigos publicados pelo semanário “Carta Capital”.
Nos textos publicados ao longo desse semestre, Delfim trata de temas gerais da economia, sobretudo, câmbio e inflação, traçando paralelos com eventos notórios no cenário político em geral. Há menção a fatos ditos históricos. Crise de 1929, em paralelo com a que estourou em setembro do ano passado, por exemplo. Foi possível também observar abordagem da questão de infra-estrutura no cenário nacional, com citação da questão de investimentos para extração de petróleo na camada pré-sal.
O autor, em seu artigo “Limites desnecessários”, discute a renovação dos métodos de obtenção de energia, frisando um avanço acelerado nos Estados Unidos e na Europa quanto ao emprego de tecnologias a fim de substituirem gradativamente o uso de combustíveis fósseis por energias provenientes de fontes renováveis. Cita exemplo de países como Alemanha, Noruega e Dinamarca, que desenvolveram metodologia avançada com essa finalidade e, de forma crescente, utilizam energia eólica e solar para abastecer tanto regiões urbanas quanto de produção agrícola.
Do mesmo modo, ressalta-se a política energética do governo Obama, que envolve grandes investimentos tecnológicos para a produção de etanol a partir de florestas, transformação de carvão em combustível líquido sem a emissão de CO2, além da produção de combustíveis alternativos obtidos por meio de itens diversos da agricultura estadunidense, como milho e sorgo.
Em adição, ao longo do semestre, o economista escreveu sobre tal questão no cenário nacional. Cita a avançada tecnologia aqui desenvolvida para a produção de etanol e para o aproveitamento da biomassa de diversos produtos da agricultura brasileira. Delfim ressalta, em contrapartida, a importância desses fatores para que se possa organizar a exploração das reservas de petróleo do pré-sal, a fim de viabilizar a autonomia energética tupiniquim pelo maior período possível.
Trata-se de um dos mais renomados economistas brasileiros, apesar de toda a controvérsia causada pelos anos em que ocupou cargos administrativos no período militar. Ainda hoje é influente no Planalto, uma vez que aconselha o presidente Lula em diversos campos da economia referentes ao curso da administração nacional.

Arthur Meibak

Os two-level games dizem respeito a um modelo político de resolução de conflitos internacionais entre democracias liberais. Modelo esse derivado da teoria dos jogos e inicialmente aplicado por Putnam.
O arquétipo consiste em negociações simultâneas, tanto no âmbito internacional, como nacionalmente. Nesse caso, por exemplo, um executivo absorve a preocupação dos atores da sociedade e constrói coalizões com eles.
Cabe ainda ressaltar os Win-Sets, que ocorrem quando as preocupações dos atores em ambos os níveis se sobrepõem. Condição que ilustra a probabilidade da obtenção de um acordo.
A noção de pluralismo, sob os preceitos da escola inglesa, é dada por meio de três conceitos fundamentais. Primeiramente, há a idéia de Sociedade Internacional, caracterizada pela anarquia entre os personagens, de forma que existem normas de coexistência entre os Estados, que são condicionados por elas.
Além disso, há o conceito de Sociedade Mundial, que transcende o Estado. Ressalta-se também a idéia de que tal sociedade é composta por indivíduos capazes de criar identidades além do nacional, ou seja, criação de interesses e valores em comum. Por fim, ocorre a idéia de Sistema Estatal, que corrobora com a interpretação do cenário mundial de forma que este é constituído por inúmeros atores nacionais.

Arthur Meibak

Eis uma escada de concreto que leva a um ponto de ônibus. Escolho um dos longos degraus e me acomodo.
Lembro-me de, há cinco ou seis anos, estar sentado, se não nesse exato canto, em outro, próximo ao local onde me vejo nesse instante.
Era, provavelmente, maio, à ocasião desse (a)caso. Eu estava de certa forma cansado devido à rotina de estudos que seguia naquele tempo. Era fim de tarde e, como hoje, o Sol voava reluzente rumo ao horizonte. Meus sonhos pareciam tão distantes que eu tinha a impressão de que nunca os alcançaria.
Tenho agora, nesse mesmo lugar, sonhos outros. Em comum com aquela época, a vontade de ganhar o mundo. Estou igualmente sentado, cansado, enquanto carros e ônibus passam.
No momento em que alguém desce essa escada, penso que, a exemplo de outrora, meus anseios apontam para o que desconheço.
Devo, assim, levantar-me. Coloco a mochila nas costas e desço essa via, para, daqui a cinco ou seis anos, voltar a sentar-me em uma dessas placas de cimento, a fim de pensar nos planos que nunca terão se tornado fato, a não ser em meus pensamentos.
Além disso, uma vez mais, dar-me-ei conta da imensidão de direções que eu poderia ter tomado, mas que, sem razão de ser, nunca chegaram perto de começar pelo próximo degrau desse caminho à minha frente.
O Circular está a passar. Apresso-me, pois.

Arthur Meibak

Afastamento. Tenho pensado nessa característica aparentemente intrínseca à minha pessoa.
Escuto, ao fundo, palavras sobre certo enfoque teórico. O construtivismo à esquerda e a idéia de distanciamento no centro.
Trata-se, imagino, de um mecanismo de defesa. Deve ser isso.
Confesso aqui que, a exemplo do que acontecia em meados de tempos outros, tenho passado boa parte das horas pensando em alguém. Assim, afasto-me. Reação à dor que tem me acometido ultimamente. Sinto vontade de desaparecer para o que já não existe, uma vez mais.
Posto isso, teimo em, por vezes, imaginar que ela está na frente da FEA, parada, casualmente vestida, esperando minha saída, a fim de me presentear com um beijo e um sorriso.
Eu me afasto, pois. Vou-me embora. Volto de Pasárgada e torno a escutar coisas sobre teóricos construtivistas tais quais Wendt e Onuf. Sinto certo pesar. Respiro um ar carregado com sentimentos distintos acerca do que houve em minha vida até o momento em que entrei nessa sala e comecei a rabiscar essas palavras.
Fui, em instantes diversos, a pessoa mais feliz desse mundo. Sinto-me, em contrapartida, romanticamente desamparado. Vejo-me acometido por um desassossego, contudo, desprovido de caráter trágico, por mais que eu, aparentemente, trace tais cores nessas linhas.
Quero paz. Afasto-me, então.
São três horas da tarde, enfim.

Arthur Meibak

Sinto-me como Álvaro de Campos, pretensamente, escrevendo os últimos versos de a Tabacaria. Esboçando, entre tudo, o desconserto. Tenho, paradoxalmente, esperança. Sinto que tudo deve ficar bem em algum momento. Isso já ocorreu uma ou duas vezes.
As sensações do mundo passam por mim. Sou um universo pelo qual momentos de minha vida fluem. Assim que me dou conta disso, acordo para as coisas que acontecem ao meu redor. Tenho sono.
O tempo passa. Muda minha sorte em um dia, rumo ao que eu nunca pensei ter razão de ser.
Sonhei um dia ser arquiteto. Traçar retas e curvas. Atraio-me por estas, tal qual Niemeyer. Fiz esboços de prédios. Desenhei árvores, como se pudesse recriá-las. Terminei por cursar engenharia. Queria provar para mim mesmo que eu era capaz de conseguir. Desisti após algum tempo.
Nesse exato instante, espero pela segunda parte de uma aula que versa sobre Teorias Avançadas das Relações Internacionais. Finjo que sou quem eu gostaria de ser, enquanto escrevo essas palavras na ausência de ouvidos e coração para darem por entendido o que eu tenho a dizer.
Por fim, do que vivi, não guardo arrependimentos. Sinto-me feliz por ser.

Arthur Meibak

Hear the sound of music drifting in the aisles
Elevator prozac Stretching on for miles
The music of the future Will not entertain
It's only meant to repress And neutralise your brain

Soul gets squeezed out
Edges get blunt
Demographic
Gives what you want

One of the wonders of the world is going down
It's going down I know
It's one of the blunders of the world that no-one cares
No-one cares enough


Now the sound of music Comes in silver pills
Engineered to suit you
Building cheaper thrills
The music of rebellion makes you wanna rage
But it's made by millionaires
Who are nearly twice your age

Soul gets squeezed out
Edges get blunt
Demographic
Gives what you want

One of the wonders of the world is going down
It's going down I know
It's one of the blunders of the world that no-one cares
No-one cares enough


(Porcupine Tree)


Arthur Meibak

Sobre este blog

Sei da eterna necessidade de questionar. Aqui isso se dá, obviamente, sob a ótica dos meus olhos. O resultado são linhas que versam a respeito do que vivencio. É, pois, a crônica dos meus dias, que possui inegavelmente um viés, fruto do que sinto e do que vejo.

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